Brasil e África do Sul testam revolucionária vacina de combate ao HIV, diz OMS

Nova alternativa oferece dois meses de proteção, impedindo a replicação do vírus no corpo e reduzindo efetivamente a carga viral.

A primeira injeção a oferecer proteção duradoura contra o vírus HIV está sendo lançada na África do Sul e no Brasil, como alternativa à medicação diária. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (18) pela UNITAID, uma agência da ONU (Organização das Nações Unidas).

Hospedada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), a UNITAID anunciou o desenvolvimento inovador, com o objetivo de impulsionar a prevenção do HIV em todo o mundo. Desenvolvida pela ViiV Healthcare e aprovada pela autoridade sanitária norte-americana, a injeção, cujo princípio ativo é o cabotegravir, oferece dois meses de proteção contra o vírus.

Como outros tratamentos para combater o HIV, a medicação antirretroviral funciona impedindo a replicação do vírus no corpo e reduzindo efetivamente a carga viral.

Aula sobre o contágio de HIV na região de Darfur no Sudão (Foto: UN Photo)

Embora a medicação oral existente, a “profilaxia pré-exposição oral” (PrEP oral) possa prevenir o HIV em 99% dos casos, a absorção tem sido lenta, e as metas para reduzir novas infecções foram perdidas. Isso ocorre muitas vezes porque as pessoas com HIV temem o estigma, a discriminação ou a violência do parceiro íntimo se tomarem a pílula todos os dias, disse o porta-voz da UNITAID, Herve Verhoosel.

“A PrEP de ação prolongada pode ter um impacto revolucionário, melhorando as escolhas e tornando a prevenção do HIV uma opção mais viável para mais pessoas”, disse Verhoosel sobre a injeção.

No entanto, ele alertou alertou que o alto custo da injeção, cerca de US$ 20 mil por ano para nações ricas, seria proibitivo em outros lugares. Então, “o fornecimento adequado e acessível deve ser garantido para que as pessoas em todos os lugares possam se beneficiar sem demora”.

No Brasil, a UNITAID está apoiando injeções de cabotegravir de ação prolongada entre comunidades transgênero, sendo que 30% vivem com HIV, e homens que fazem sexo com homens (18%).

Na África do Sul, por sua vez, a população-alvo são meninas adolescentes e mulheres jovens, que são infectadas “a uma taxa desproporcionalmente alta”, disse a agência da ONU.

“Na África Subsaariana, seis em cada sete novas infecções por HIV em adolescentes ocorrem entre meninas, e as mulheres jovens têm duas vezes mais chances de viver com HIV do que seus pares do sexo masculino”, acrescentou a UNITAID.

 

Descriminalização do HIV

 

Em um desenvolvimento relacionado, a UNAIDS, um programa da ONU criado em 1996, parabenizou o Zimbábue por descriminalizar a transmissão do HIV. O Parlamento do país revogou a seção 79 do Código de Direito Penal sobre transmissão do HIV. Em seu lugar, espera-se que o presidente Emmerson Mnangagwa sancione uma nova lei de casamento adotada pelo Parlamento.

“As metas de saúde pública não são alcançadas negando às pessoas seus direitos individuais, e eu elogio o Zimbábue por dar este passo extremamente importante”, disse a Diretora Executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima. “Esta decisão fortalece a resposta ao HIV no Zimbábue, reduzindo o estigma e a discriminação que muitas vezes impedem que grupos vulneráveis ​​de pessoas recebam serviços de prevenção, cuidados e tratamento do HIV”.

De acordo com o UNAIDS, na última década, o Zimbábue fez grandes progressos em sua resposta ao HIV. Estima-se que 1,2 milhão dos 1,3 milhão de pessoas que vivem com HIV no país estão tomando medicamentos que salvam vidas. Além disso, as mortes relacionadas à AIDS diminuíram 63% desde 2010, com novas infecções por HIV caindo 66% no mesmo período.

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